Metodologia do Índice Carnow de Carros de Luxo

O Índice Carnow de Carros de Luxo mede o ágio ou deságio dos carros de luxo à venda no Brasil frente à Tabela FIPE, além do tempo médio de anúncio e do ticket médio. Todo número publicado deriva de uma consulta ao nosso banco de dados — nada é estimado ou gerado. Esta página explica exatamente como o índice é calculado, incluindo suas limitações.

Fonte dos dados

O índice combina duas fontes, restrito a uma lista curada de modelos:

  • Inventário Carnow: os anúncios de carros de luxo com status ativo e preço informado, publicados no classificados da Carnow. É o preço pedido pelo vendedor.
  • Tabela FIPE (por códigos curados): para cada modelo do índice, mantemos à mão uma lista de códigos FIPE curados — os trims reais daquele modelo. A partir deles calculamos a mediana FIPE por ano-modelo e comparamos cada anúncio com a mediana do seu ano.

Importante: o ágio não é lido de um valor FIPE gravado por veículo. Aquele campo é preenchido por um pareamento automático que, em modelos com muitas versões, pode colar o código de um trim (por exemplo, o 911 Carrera base) em uma variante diferente (Carrera S, GTS, Turbo, GT3), gerando um ágio que é artefato de pareamento, não sinal de mercado. Por isso o índice usa apenas os códigos curados por modelo, com mediana por ano.

O que é ágio e deságio

Para cada anúncio de um modelo curado, calculamos a diferença percentual entre o preço pedido e a mediana FIPE do ano-modelo correspondente (mediana entre os trims curados daquele modelo naquele ano):

diferença % = (preço pedido − mediana FIPE do ano) ÷ mediana FIPE do ano × 100
  • Ágio (positivo): o anúncio pede acima da FIPE.
  • Deságio (negativo): o anúncio pede abaixo da FIPE.

Reportamos a mediana como número principal (e a média como secundária). A mediana é preferida porque o mercado de luxo tem valores extremos — uma única unidade rara pode distorcer a média, mas não a mediana.

Amostra mínima

Uma marca ou modelo só aparece no índice se tiver pelo menos 3 anúncios ativos. Para exibir o percentual de ágio/deságio, exigimos pelo menos 3 anúncios pareados ao ano-modelo da FIPE curada. Abaixo desse limite, consideramos a amostra ruído — e preferimos omitir o número a publicar algo frágil. Reportamos a mediana da amostra, que já é robusta a um anúncio atípico isolado.

Guard de dispersão: quando o ágio de um modelo é omitido

A referência de cada modelo é uma única mediana FIPE por ano-modelo, calculada entre os trims curados daquele modelo. Em modelos com faixa de trim muito larga, essa mediana mistura tiers de preço bem diferentes — a base e o topo de linha. Quando os anúncios ativos de um modelo pendem para o topo de linha (por exemplo, um 718 comparado à mediana que inclui a base, ou um Aventador de série especial contra a mediana geral do modelo), o ágio individual daquele anúncio fica inflado por diferença de tier, não por sinal de mercado. A mediana única do ano deixa de ser uma referência representativa para aquele modelo.

Para não publicar um número inflado, medimos a dispersão dos ágios individuais dos anúncios de cada modelo e aplicamos um guard: se os anúncios estão espalhados demais, a mediana do modelo não é confiável e omitimos o ágio daquele modelo. A métrica principal é a amplitude interquartílica (IQR) — a largura dos 50% centrais dos ágios, robusta a um caso extremo isolado —, com uma salvaguarda pela amplitude total:

omite o ágio do modelo se  IQR(ágios) > 12 pontos percentuais  OU  (maior − menor) > 40 pontos percentuais

Os limiares foram calibrados nos dados reais: existe uma separação nítida entre os modelos com trims homogêneos, cujos ágios ficam concentrados (IQR de poucos pontos percentuais), e os modelos com trims misturados, cujos ágios se abrem muito. O corte fica no meio dessa folga.

Um modelo reprovado no guard não some do índice: ele continua contando no inventário total e no ticket, apenas sem publicar o percentual de ágio. E, por consistência, o ágio de uma marca é calculado apenas a partir dos modelos que passam no guard — assim um único modelo de trims misturados não distorce a leitura da marca inteira. É a mesma disciplina da amostra mínima: preferimos omitir a publicar um número frágil.

Cobertura: só modelos curados

O índice cobre apenas os modelos com códigos FIPE curados por modelo. Marcas e modelos fora dessa lista contam no inventário total exibido, mas não recebem número de ágio — preferimos não cobrir um modelo a cobri-lo com um pareamento frágil. Se, em uma dada edição, a FIPE curada de um modelo não estiver disponível (por exemplo, cache ainda não aquecido), esse modelo é simplesmente omitido da edição — nunca substituído pelo valor por-veículo. A cobertura cresce à medida que mais modelos são curados e têm a FIPE resolvida.

Além disso, alguns modelos são excluídos por decisão editorial quando a amostra disponível está enviesada por tier — mesmo com dispersão baixa. Se, num dado momento, os únicos anúncios de um modelo são de um único tier (por exemplo, só as versões topo de linha), a mediana representa os anúncios daquele modelo, mas não necessariamente o modelo como categoria. Nesses casos o guard de dispersão não dispara (os anúncios concordam entre si), então optamos por não publicar aquele modelo em vez de reportar um número que induziria a leitura errada. Esses modelos saem da tabela e não entram no ágio da marca nem no ágio geral.

Tempo de anúncio e ticket médio

  • Tempo de anúncio: dias decorridos desde a data de publicação de cada anúncio ativo, no momento do cálculo. Reportamos mediana e média. Como consideramos apenas anúncios ainda ativos, este número reflete o tempo de permanência em vitrine, não o tempo até a venda.
  • Ticket: mediana e média do preço pedido nos anúncios ativos, com a faixa (mínimo e máximo).

Frequência de atualização

O índice é recalculado diariamente (cache de 24h), mas a foto oficial de cada mês é fixada no primeiro cálculo do mês (snapshot) e não é sobrescrita. Isso mantém o número citável estável ao longo do mês e permite a comparação mês a mês. A comparação mês a mês só aparece quando existe a foto do mês anterior — nunca inventamos uma tendência sem base histórica real.

Limitações (leia antes de citar)

  • Preço pedido, não preço de venda: o índice mede o que os vendedores pedem, não necessariamente o valor pelo qual o carro é efetivamente vendido.
  • Viés de luxo: a amostra é o inventário de carros de luxo da Carnow. Não representa o mercado automotivo brasileiro como um todo, e sim o segmento premium/exótico.
  • Cobertura restrita à curadoria FIPE: o índice só reporta ágio dos modelos com códigos FIPE curados. Um modelo à venda no inventário mas ainda não curado não aparece no ágio — o índice cobre menos do que o inventário total, por opção, para não publicar número frágil.
  • Dependência da mediana FIPE por ano (entre trims): a referência é uma única mediana entre os trims curados daquele modelo naquele ano. Quando um ano tem poucos trims curados, ou os anúncios pendem para um tier (base ou topo de linha), o ágio pode refletir a diferença de trim, não o mercado. O guard de dispersão omite o ágio quando os anúncios de um modelo discordam entre si demais (mediana não representativa). Ele não corrige, porém, um viés em que todos os anúncios de um modelo são do mesmo tier caro e concordam entre si: nesse caso o ágio é internamente consistente mas ainda medido contra uma mediana de trims mais ampla. Por isso reportamos a mediana da amostra, um mínimo de 3 anúncios, e ampliamos a curadoria de trims por modelo para estreitar essa referência.
  • Tamanho da amostra: marcas e modelos raros têm poucas unidades; por isso o corte de amostra mínima. Ainda assim, amostras pequenas são mais sensíveis a unidades atípicas.
  • Anúncios ativos: o tempo de anúncio considera apenas anúncios ativos no momento do cálculo, o que subestima o tempo total de anúncios que já saíram do ar.

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